domingo, 27 de abril de 2014


Sensação

Eu tenho aquela sensação de saudade, uma saudade de coisas que não aconteceram.

Não aconteceram por que a vida, o destino ou sei lá o que não permitiram. Mas eu sinto essa saudade de um tempo que eu não sei se conheci.

É uma sensação de não pertencimento a esse tempo presente, como se eu quisesse retornar a aquele presente que já aconteceu e eu não estava lá. Por amor, por desamor, por medo, não sei o que me levou a não estar lá, eu só não estava.

Da vida eu sempre quis o viver, o intenso e forte viver.

Estar aqui não significa viver, algumas pessoas apenas sobrevivem. Eu não quero ser uma delas, eu quero sugar toda a essência da vida e me embriagar dela. Como um ritual para se tomar o absinto em que se incendeia o torrão de açúcar e aguarda-se o seu derretimento até a dissolução e a mistura ao líquido verde translúcido.

Quero ser embriagada pelo bom e pelo ruim que a vida me trouxer, os amores seus dissabores e suas dores, do seu prazer e decepções.

Não quero me sentir excluída dessa vida. Esse sentimento é como um elixir viscoso e amargo que fica na boca e traz a lembrança até do cheiro do que poderia ter sido e vivido e a associação a esse cheiro é o amargo desse elixir.

Acredito que eu seja rara, já que só há uma versão de mim, então como não há outra de mim, eu só quero o exclusivo da vida.

Parafraseando Renato Russo numa música que se chama Longe do meu lado:

...a saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago e essa escravidão e essa dor não quero mais, quando acreditei que tudo era um fato consumado veio a foice e jogou-te longe, longe do meu lado... Não estou mais pronto para lágrimas, eu também sei que dizem que não existe amor errado.. Mas entenda, não quero estar apaixonado.

 

 

 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mais uma vez... sozinha


                Existem horas em que a melhor coisa do mundo é a solidão. Ficar consigo mesmo é a redenção, para quem já esteve preso a algo impossível, e eu fico pensando de quantos desejos impossíveis é feita a nossa vida. Vidinha. Vida que nasce grandiosa e aos poucos vai se tornando pequena e cheia de mesmices.

Amores imperfeitos, paixões arrebatadoras e doenças da alma, isso faz da nossa  vida uma “vidinha”. Sou a favor da meditação, do silencio profundo, da respiração compassada, do ficar consigo mesmo, da solidão escolhida. Ninguém precisa de ninguém pra ser feliz, somos seres sociais, mas não seres dependentes, a felicidade é feita de fragmentos que aos poucos nos fazem pessoas plenas, cheias de vida, com ambições de mais felicidade sem essa dependência boba que não nos satisfaz. Pensamos em felicidade, como se estivesse sempre no futuro ou no passado, e nos vemos no presente como uma sombra..

Hoje eu estou só, e estou bem comigo mesma. Não quero o tormento da existência que vem  juntar-se a rapidez do tempo, que me inquieta, que  não  me deixa respirar, e se revela atrás de cada um de nós como um cão raivoso. Mas, e se todos os desejos, fossem imediatamente realizados, com que nos preocuparíamos? Acho que com a nossa Liberdade, a liberdade de se deixar ser sozinho...