domingo, 30 de novembro de 2014

A última bolacha do pacote

Quando a gente acha que nada vai nos surpreender na vida.. alguma coisa ainda nos surpreende.
Hoje conversando com uma pessoa muito especial, percebi que ela não estava bem. Estava conversando normalmente, rindo, falando besteira, fazendo conjecturas, mas seus olhos brilhavam, e o brilho não era de felicidade, tinha algo muito triste ali.
Foi aí que eu resolvi perguntar o porque dela estar triste e ela me respondeu que se sentia a  “última bolacha do pacote” e eu perguntei se isso não era bom, e ela resolveu me explicar o que era se sentir a última bolacha do pacote.
“ Quando as pessoas abrem um pacote de bolacha elas estão com muita vontade, mas quando chega na metade desse pacote a vontade diminui e o último é aquele que fica quebradinho e quase sempre vai para o lixo. É assim que eu tenho me sentido, quase sempre. Minha vida é normal, tenho amigos e um ficante, saio as vezes, estudo e trabalho, mas me sinto não pertencente a lugar algum, não tenho projetos a longo prazo, porque acho que não sou de lugar nenhum. Não me vejo sendo incluída na vida de ninguém, sou sozinha e assim permaneço. Dizem que sou  a alegria em pessoa, mas é passageira essa alegria, quando estou no escuro do meu quarto e penso a respeito das pessoas, não me vejo com elas. Me decepciono tantas vezes quanto me apaixono, já não espero nada dos objetos das minhas paixões, e quando espero é o mínimo do mínimo, tenho medo de esperar o normal e ser dilacerada pelo que não vou receber, meço cada desilusão e cada vez elas ficam mais dolorosas, imaginem se esperasse mais? Dói muito essa coisa de rejeição. Sou muito carinhosa e deixo a pessoa ter duas vezes o espaço de que precisam, não quero sufocar ninguém com o meu amor, a minha paixão e as minhas inseguranças. Aliás as minhas inseguranças quase nunca são mencionadas, pessoas inseguras por natureza afastam as outras pessoas, então vivo uma semi-mentira. Eu escondo de mim mesma as minhas neuras e inseguranças para não afastar as pessoas de mim. Ficam então a alegria, a singeleza no jeito de gostar.
Esse meu sofrer sem testemunhas, às vezes transborda e como hoje escorrem pelos olhos, algumas pessoas mais sensíveis percebem. Eu queria estar feliz com algumas pessoas, mas como as pessoas já comeram as bolachas e sobrou a última, pode ser que eu fique lá dentro aguardando ou logo seja descartada. Acabei de ler numa rede social dessas, que a pessoa com quem eu me relaciono intimamente está com alguns amigos, isso é o suficiente para que um filme passe pela minha cabeça e eu me veja sempre a margem de sua vida. Seria uma ótima oportunidade para que eu fosse inserida ao seu grupo de amigos, mas longe de mim querer que ele me inclua assim, já que eu sempre vou dizer que a pessoa não é responsável pelo sentimento que eu nutro por ela, e assim  fica mais fácil de conviver comigo mesma e essa rejeição, e mais uma vez, me vejo como a última bolacha do pacote  que desta vez está quebradinha e não é a mais bonita, e eu me contento em ficar  lá, esperando o descarte ou aquela vontade de última hora em que é devorada sem muito apreço. Isso é resignação, é ser a última bolacha do pacote”, sem cobranças, sem esperanças, vivendo um dia após o outro.

Para mim foi uma explicação emblemática, acredito que por várias vezes passamos por situações parecidas. Deixo uma questão a ser pensada.. vale a pena deixar se deteriorar aos poucos, nesse rasgar-se e remendar-se? Vale a pena fazer-se de ponte para a felicidade dos outros? Essa semi-mentira é uma quase-verdade. Não sei nem o que pensar sobre o que eu tinha em mente na expressão “a última bolacha do pacote” e sobre essa versão triste que descobri hoje. Sei que prestar mais atenção ao redor, deveria ser uma obrigação a quem vive em sociedade. O egoísmo machuca e vai matando aos poucos. Não quero ser a última bolacha do pacote, não quero um amor em que espero o mínimo da doação do outro enquanto eu me doo 100%, sou uma pessoa completa e nem sempre vou me comportar como mera expectadora. Uma hora vou virar a mesa e quem tiver em volta sairá respingado pelo que cairá. Muitas vezes as pessoas nos pedem ajuda tão sutilmente, que o grito sai sussurrado...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

E morro quantas vezes forem necessárias para de novo nascer.



Se eu estou triste, quero viver essa tristeza ao extremo.
Se dói, que seja uma dor lancinante e intensa.
A tristeza assim como a alegria deve ser sorvida e apreciada
Não tenho pudores em dizer que estou sofrendo, o meu sofrimento é oriundo de uma certeza... a certeza de que tudo acaba.

Até o mais belo dia acaba num belo por do sol.
Esquecer que tudo é finito é negar a própria vida.
Tudo acaba nessa vida, a começar por ela própria.
Os sentimentos são como dunas de areia fina que se deixam levar pelo vento, hora aqui hora ali até que um dia até eles, os sentimentos se vão.

As paixões são vãs, vazias, e equivocadas na maioria das vezes.
O certo e o errado, só servem para mensurar as cicatrizes que sempre ficam no passado, mas que sangram com a menor lembrança.
O gostar de alguém quase sempre nos acarreta ruína, estrago, dor!

Por isso eu vivo ao extremo.
Sofro ao extremo!

E morro quantas vezes forem necessárias para de novo nascer.