sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Gostar


 
 

Eu gosto de você como se gosta do pôr do sol

Vejo nos teus olhos todo o brilho, toda transparência

De um porvir

Agradeço por você existir

 

Sinto sua presença quando penso em você

E mais uma vez, sou grata por sua existência

Como o céu alaranjado de um final de tarde

Vejo você

 

Sua luz irradia alegria, dialético

Sua personalidade forte e sua delicadeza

Faz-me desejar  e

 

Eu desejo a sua felicidade

Eu desejo a sua ternura

Eu desejo sempre gostar de você

 

Não mais


 

 

Habitei em teu ser

Dei a ti o melhor de mim

Fui tua e fiz de ti um ser fugaz

Quis teu riso feliz

Tua satisfação em ser o que você é

Sonhei teus sonhos

Vivi tua vida infame

Fui luz de teus olhos

Coluna para teu corpo

Amparo para seus erros

Fui teu pai

Tua mãe

Tua irmã

Amiga e amante

Fui... Hoje não sou mais

Fui antes, fui quase, hoje sou nunca

E fui só por te amar

 

 

 

Andarta

E eu preferia as frases feitas, pensamentos e devaneios de outros me satisfaziam, já que eu existia pela metade. Criava Quimeras e sofria as mazelas de um amor inventado pela pequenez de um coração que amava não a mim e sim a Vênus que realizava seus desejos.
E eu era a doce criatura numa atmosfera de um rosa-azul cintilante, quando na verdade gritava em minh’alma a voz Criadora, e a atmosfera era de um vermelho intenso e quente como o sangue que corre em minhas veias, essa é a verdadeira face de uma mulher que quis para si todas as flores e suas dores.
Minha voz antes abafada, hoje rasga a garganta num misto de dor e prazer, sou a essência da própria Andarta a deusa da guerra! Sei que estou em guerra contra tudo o que já tive e já fui, sou hoje uma mulher que simplesmente quer! Uma mulher que é! Sou imperativa e minha essência antes apenas doce, agora é picante levemente adocicada...

Sangue

Machuca-me
Corta-me como uma maldita guilhotina afiada
Dolorido como um coração partido
Ilusões num vermelho vivo
Sangue que jorra do meu corpo vivo
Dor lancinante
Estremeço ao me reconhecer tão viva
Dor de viver
Corta a minha carne
Torna-me sangue
Sangue vivo
Sangue quente
Carne morta e ferida aberta

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Toco o silencio


Às vezes sentir-se só é poder tocar o silencio

Sinto-me só, num mar de lembranças, com ondas que vem e vão

Que me trazem e levam os mais puros sentimentos já vividos

Hoje eu só preciso fechar os olhos e sentir...

Lembranças de momentos coloridos e palpáveis, mas sem som

A solidão é a antítese do contentamento, ela nos cobre com um manto frio e desconfortável

Quando o que preciso é calor e proteção

O silencio faz-se presente como algo que posso sentir e tocar

Como num filme mudo, posso ver o carinho, mas não posso ouvi-lo

Sinto-me só, sinto congelar minhas entranhas

Sinto.


 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Embriaguez


Encontro-me embriagada pelo vinho e pelo desejo. Quando fecho os olhos, vejo você e sinto a tua boca molhada, contra a minha que só deseja seus lábios, tua língua, teu desejo. Meu corpo torna-se teu e quero dizer teu nome, mas algo me impede. Você não está comigo, é só o meu desejo pulsante. Eu preciso ter você, e como Maquiavel traço estratégias de uma conquista que agora será inevitável, eu preciso senti-lo e como numa cidade conquistada misturar os costumes, miscigenar as raças. Quero que sejamos um só, que seja por um instante, mas, que seja. Preciso sentir o calor que emana do seu corpo, quero ouvir as batidas compassadas do teu coração, tuas mãos suadas em minha cintura, teus lábios em meus ouvidos dizendo bobagens e me fazendo ser uma mulher que será apenas uma fêmea em teus braços. Quero o teu suor, a tua libido, o teu sexo e mais... Quero me ver em teus olhos famintos, famintos como os meus que já o tem refletido na alma. Preciso sentir-me tua, sou uma mulher e como tal, tenho sede de sedução.

 

 

Insana


Insana

Hoje a minha loucura grita

Permito-me  a irracionalidade

Arrogante, sem  preocupações

Eu quero o que não é meu e

Eu  só posso o que eu não quero

Sem limites ou ressalvas

Sem pesares

Loucura aguda, tristeza infame

Sacia-me  sem remorsos

 

 

 

 

 

 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Incerto


 
 

Meu coração vacila na escuridão

Nem a realidade me delimita

Numa desarmonia que eu entendo

Preciso de segredos para viver

Sou aos poucos livre como o ato de pensar

Apenas vivo

Denunciando o horror alucinante que a vida é mortal

Quero violentar a realidade móvel

Liberto-me da escravidão da palavra sem medo

Inútil o querer

Pensamento vazio pleno e incerto

Dou-te minha inquieta alegria

Meu lirismo sem vergonha

 

 

 

 

 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Antes de voce...


Minha  capacidade de viver tem os limites de possibilidades infinitas

De sonhar com um mundo que jamais verei

De libertar-me da escravidão da palavra

Posso violentar a vida

Mas lembrar-me com saudade é como me despedir de novo

Sinto falta de sentido no pulso que pulsa em mim

Conquisto o mais profundamente a minha liberdade de sensações

Tudo acaba, mas o que te escrevo continua vivo

E o melhor está nas entrelinhas

Quero a lucidez da falta de sentimentos

Tenho medo. O coração acelera. Atinjo o real através do sonho

É como beber do céu em sua inexistência

Sua ausência de cor e forma

Deixando-me numa embriaguez suave

Tonta e quase ansiosa, como se minhas percepções fossem vagos pensamentos

Percebo que o tempo passa depressa demais e eu...

Não me lembro como eu era antes de voce


 

Deixa-me ter voce


 

 

Expresso meus desejos mais ocultos

Tenho a boca seca diante do que ouso alcançar

Olhos brilhantes e sensuais

Envolta num desejo difuso e carnal

Desejos de realização de um desejo

Sinta comigo

Quero ter-te na boca

Sugar-te a alma

Boca e língua de modo intuitivo e primitivo

Deixo-me acontecer

Renuncio ao tempo que vibra                       

Fico em silencio e ouço

Que a loucura é irmã da cruel sensatez

Tudo é incerto e

Eu sou a expressão do prazer e da volúpia

Deixa-me ter você

Lê a energia que está no meu silêncio

Sinta a vibração do meu desejo

Liberta-se da escravidão da sua palavra

Permita-se sentir-me

 

 

 

 

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Simplesmente mulher



 

Sou mais do que você pode perceber

Não me revelando realizo-me em você

Sou bela, Santa, fera e louca

Entusiasmo nesta insensatez

 

Estranha junção ora carnal, ora de almas

Sou eu mesma, brincando de ser o que já fui

Ingênua... Conto coisas fúteis

Mostro o que amo e detesto

 

Você me faz ter gana de ser mais feminina

Ser mais Venus ou Afrodite

Atena ou Minerva, que sabe Hera ou Ishtar

 

Deusa do amor e da beleza, da guerra e das artes

Passional... uma mulher

Simplesmente uma mulher

 

 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Amanhecer


 

 

Suspirando..

Abro os olhos e ouço

São os bem-te-vis

Fecho os olhos novamente

Sinto sua presença

Quero tocar-lhe

Mas não posso

Você não está ao meu lado

Sinto voce perto quando fecho os olhos

Eu quero sentir sua presença, seu toque

Fecho os olhos, suspirando sinto seu cheiro

Eu não quero sentir sua ausência

Meu corpo estremece com a ilusão da sua presença

É boa a sensação de você comigo

Sorrindo abro os olhos

Amanheceu e com o amanhecer chega um novo dia

Mais um dia sem você

Fico com a ilusão

Sofro

Sinto

Logo vai anoitecer e o negrume da noite me trará voce

Que repousará novamente em meus braços

Serei sua e você será meu

E eu não anseio o amanhecer...

domingo, 12 de janeiro de 2014

Acaso


A vida pura que é vivida assim subitamente, que nos apresenta pessoas e oportunidades únicas, sem ressalvas, sem planejamento, sem cláusulas pré-estabelecidas a que acontece simplesmente, parece-me tão mais verdadeira. O bom da vida é a surpresa, o prazer de viver, de estar dentro do momento, de saber que é único.

Palavras sem promessas entre olhares famintos e risos tímidos com toques involuntários de corpos contornados por  uma nudez vazia, as vezes revelada pela penumbra. Há um magnetismo, uma visão fragmentada, corremos o risco de sermos  esmagados pelo acaso de uma verdade sem sentido, de um mundo que nos engole e nos proporciona o odor suave e almiscarado dessa nudez

E o tempo é quanto dura um pensamento..


 

 

Meu corpo incógnito te diz

Ouve-me, ouve o silêncio

Eu que venho da dor de viver

Quero a vibração do alegre

Mal existo e se existo é com delicado cuidado

Sou heroicamente livre

Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.

Quase  livre de meus erros

Eu não o quero mais

Quero  é uma verdade inventada.

Tenho por dom a paixão

O mais inatingível para sempre ou para nunca

Estou atrás do que fica atrás do pensamento

Instantes  de metamorfose

A falta de sentido que tem a veia que pulsa

Numa confusa e orgíaca beleza

Esta minha capacidade de viver

Sou orgânica

Sou implícita

Sou Diana a Caçadora de ouro e só encontro ossos

Estou mal e mal viva.

Quero a experiência de uma falta de sentido

da falta de sentido nascerá um sentido

eu te deixo ser, deixa-me ser então

Eu quero o inconcluso

Lê a energia que está no meu silêncio

Ouve-me, ouve o meu silêncio

Lúcida escuridão, luminosa estupidez.

Entorpecida e dormente como depois do amor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amores roubados


Não comecei a assistir a Amores roubados, como a grande maioria da população brasileira. Mas tenho lido algumas matérias sobre a mesma, porque leio até bula de remédio (risos). Em uma delas que, se não me engano foi  na folha on line, gostei de uma  declaração da Dira Paes "Estou achando isso maravilhoso. Mulher não tem data de validade!", afirmou. "Um amigo me disse uma vez: 'Homem não gosta de mulher bonita. Gosta de mulher viva'. É por aí. Não adianta ser linda e ter aquele olhar chocho e ser sem graça."

É livremente inspirada no livro “A Emparedada da Rua Nova”, escrito pelo jornalista e fundador da Academia Pernambucana de Letras, Carneiro Vilela (1846-1913). A obra editada semanalmente no “Jornal Pequeno”, do Recife, entre 1909 e 1912, só foi transformada em livro no início do século XX e é um folhetim que faz sucesso há quase 100 anos. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Amores_Roubados)

Sei que a minha opinião não será levada em conta por pelo menos 70% dos que me leem, mas a expresso porque acredito ser válida toda forma de opinião, pró ou contra.

Acredito que os romances escritos no Brasil no século IXX são belíssimos e tem grande valor literário, porém, acredito que a TV aberta encontra nesses romances uma nuance de sensualidade que é desnecessária, afinal em se tratando de literatura voce le, se voce abrir o livro, já as minisséries estão ali, em todas as mídias. Em se tratando dessa emissora que detém certo monopólio no nosso país então.. seus produtos são batidos até a exaustão e o povo, sim, o povo que por si só já não possui cultura suficiente para definir o bom do quase bom, “compra” essas novelas e minisséries como sendo o creme do creme da literatura nacional. Apesar do horário e da classificação indicativa sabemos que muitas pessoas assitirão a mais essa trama global, em que a enfase é a traição, o cafajestismo, a desvalorização da mulher, a banalização do sexo e “otras cositas más” que nos são enfiadas goela a baixo da população de um país assaz necessitado de educação e arte, mas de uma forma didática e não jogada ao léu, como se todas as pessoas tivessem o mesmo senso crítico e os olhos de pessoas esclarecidas. Somos um povo que mal sabe ler, nossos índices de analfabetismo funcional são altos e mesmo assim, ainda nosso ministério da educação corrobora para que seja livremente veiculada tal história, como se o intuito, além do entretenimento fosse o esclarecimento literário.

Sem dúvida nehuma desde Riacho doce, que é a minissérie da qual me lembro com mais clareza, esses romances são explorados, é claro que cada vez com mais sensualidade e nudez. Parece que são estratégicos, quando a popularidade da emissora começa a baixar, eles tem um conto quase erótico para exibir.

Deixo claro que não tenho nada contra entretenimento, desde que seja vendido desta forma; nunca será o mesmo que pegar o livro no qual o folhetim foi “livremente” baseado e degustar folha a folha. Sinto que os donos do monopólio global desincentivam a leitura quando colocam a livre adaptação no ar. Preenchem as lacunas dos fatos com muita nudez e ficção e nos apresentam uma trajetória nem sempre crível.

Boa leitura, ou novela ou minissérie ou exercício físico, ou seja lá o que voces forem fazer com seu tempo livre!

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Meu movimento cessou..


Hoje eu acordei e percebi que a vida é muito mais dinâmica do que imaginamos. Por mais que eu me sinta de pés e mãos atadas, meu intelecto procura saídas nesse labirinto energético.

Sinto que a minha energia pessoal está numa fase baixa, alimentada por emoções fortes e desesperançadas.

Meu movimento cessou, é como se estivesse num lago estagnado. Eu sei que para nadar até a margem, preciso avaliar as coisas a partir de perspectivas mais amplas, procurando olhar e ver o outro lado. Para qualquer lugar eu olhe, para qualquer solução que eu encontre, verei um efeito colateral. Não encontro a “solução perfeita”, a estagnação não cessa simplesmente porque penso positivamente..

A teoria pode até ser bonita, mas na prática, a gente não muda as coisas apenas a partir do pensamento, mas sim e principalmente a partir de atitudes. Eu sei que não encontrarei a atitude perfeita, mas vale pagar o preço e sair desse estado de torpor. Melhor uma decisão não tão correta, do que a paralisia da indecisão.

Eu sou caco de vidro no chão..
 

 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Colcha de retalhos


Eu queria costurar as pontas soltas e fazer uma colcha de retalhos dessas que são tão bem feitas que não desmancham nunca, como as da “Tia Antonieta”, que duram por gerações.
Unir as pontas no meu caso, significa unir as pessoas para um objetivo comum, sem críticas destrutivas, apenas ressalvas.
Somos todos pó do mesmo barro, estamos aqui para somar e não dividir. Há muitos erros a serem consertados, muitas lacunas a serem preenchidas. Uma reestruturação a ser feita a partir do bom senso.
Sinto-me incapaz, por não conseguir juntar as pontas, redesenhar os retalhos. Somos falhos e vivemos nos lamentando sobre tudo, nunca estamos satisfeitos, aliás um sentimento que é abundante no ser humano é a insatisfação, parece que sempre temos algo a nos queixar, e a colcha vai ficando de lado.
Muitas vezes precisamos de certa solidão para nos sentir incluídos. Não digo essa solidão que é a antítese do aconchego, mas uma solidão escolhida, pensada. Solidão para coser as idéias.
 Nesta solidão paro e repenso o ser humano, não importa em qual parte do mundo estejamos o ser humano é essencialmente igual. A nossa essência é a partilha, compartilharmos coisas boas ou ruins, somos seres sociais mesmo que estejamos sós. Somos uma colcha de retalhos.
Quisera eu ter o dom de saber unir esses pontos há muito separados. Eu coseria a colcha e a usaria no próximo inverno, aquecer-me-ia dela, seria parte dela..
 
 
 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A vida.. o tempo

      

 
A vida passa com o tempo, e o hoje daqui a poucas horas já foi o ontem

Mudo sem planejar  porque simplesmente vivo  e acredito que o futuro é um pas­sado que ainda não se realizou.

Sou feita de fragmentos, sou um amontoado de fatos, uma sensação que não se explica

Buscando  na base do meu egoísmo tudo o que não sou,

Sou um corpo e tudo o que eu fizer é continuação desse meu começo

Sei que sou o início do fim, nasci e desde esse dia morro cada dia em que acordo

 O que eu sou nunca muda, mas quem eu sou não pára de mudar

Como nuvens de chuva, como o tempo que passa sem avisar e não pára, como as paixões dessa vida...

          Esse tempo é quanto dura um pensamento

          Que denuncia o horror alucinante que a vida é mortal

        

Desdemona



 

Almejava viver realmente, gozar realmente, agir realmente

Ao invés de restringir-me ao papel de mera expectadora

Cega, surda, inocente, parei de pensar e comecei a sentir

Como um malabarista equilibra seus tacos

 

Brincava com os sentimentos

Essa fonte que jorra invisível

Inundando apaixonadamente os pensamentos

Como Desdemona , chorei e sofri

 

Fértil de bons sentimentos

Alimento-me da sua vaga lembrança

Degusto calmamente o fel da sua ausência

 

Placidamente privou-me do amor, provando a sua fraqueza

Tirou-me tudo, deu-me somente a mim

E lembrei-me a tempo de esquecer você...

 

domingo, 5 de janeiro de 2014

O teu olhar

Queria me ver dentro dos teus olhos
Olhos de menino
Que cintilam e sorriem
Não temem em revelar sentimentos
Olhos que refletem o brilho da alma
E eu que venho da dor de viver
Do inferno de amar
Só queria repousar no teu olhar
Prendi para mim o instante em que passei pelos teus olhos
Antes que ele morresse ou voce me deixasse
Ele que perpetuamente morre
Mal existo e se existo é com delicado cuidado
Meu tempo é quanto dura um pensamento...
 
 

Sou caco de vidro no chão, insignificante e ao mesmo tempo cortante

 
Gosto de olhar o infinito, gosto de estar no alto de uma escadaria, dialogando comigo mesma.
Sou uma sonhadora e devaneio para alcançar a realidade que é sempre cheia de oportunidades per­didas.
Aceito tudo o que vem de mim e desconheço minhas causas,
Talvez até passe pelo vital sem saber, talvez seja essa a minha maior humildade
Sou portadora de boas e más notícias e me aceito, nem de todo boa, nem de todo má.
Sou caco de vidro no chão, insignificante e ao mesmo tempo cortante
Sinto, sofro, me alegro, me comovo e me convenço. Só o meu porque me interessa, e o busco no meu grande vazio, no meu grande coração vazio.
Mudei sem planejar  porque vivo empiricamente e acredito que o futuro é um pas­sado que ainda não se realizou.
Sou feita de fragmentos, sou um amontoado de fatos, uma sensação que não se explica
Vejo quase sem querer que o que escrevo me deixa trêmula. Quero tirar férias de mim, perder de vista o meu destino.
Quero buscar na base do meu egoísmo tudo o que não sou, sou um corpo e tudo o que eu fizer é continuação do meu começo.
Sou o início do fim, nasci e desde esse dia morro cada dia em que acordo
Porém, o que eu sou nunca muda, mas quem eu sou não pára de mudar
Como nuvens de chuva, como o tempo que passa sem avisar e não pára, como as paixões dessa vida...
 
 
 
 
 
 

 
 

Maquiavélica, Nietzscheniana... Não! Sim? Humana e como todo ser humano, controverso...


Tento ser uma pessoa razoável dentro de uma dita normalidade, porém eu não sei o que é normal. O mundo lá fora é tão complexo e temos que ser tantas pessoas ao longo da vida, que eu já não sei bem o que é o certo e o quanto esse certo pode ser errôneo. Seguimos diretrizes de ética e moral ensinadas pelos nossos pais, entretanto, devemos ser flexíveis até dentro desses ensinamentos. Muitas vezes aquela verdade absoluta que me foi dita aos cinco anos de idade, hoje não é tão verdade assim. Não sou a dona da verdade e nem creio que alguém seja. Sou uma Nietzscheniana de carteirinha.

Lembro-me que quando tinha uns doze anos, fiquei fascinada por um livro que ouvi falar e não sosseguei enquanto não o li, na época eu não havia entendido muito bem o que significava o pensamento do escritor, só fui começar a entendê-lo anos mais tarde. O livro era O Príncipe, de Maquiavel e sua temática a estratégia da conquista. Se colocarem em prática seus pensamentos em qualquer área da vida, acredito que consigam muitas coisas em benefício próprio, porém terão que dissimular muito. Num exemplo muito claro, Maquiavel diz que para se dominar uma cidade, o caminho mais rápido é a destruição, nesse caso a destruição material, mas o que ficou latente em mim após esse livro, é que há diversos tipos de destruição, destruindo a confiança de alguém essa pessoa passa a ser um alvo certo a ser conquistado, isso no trabalho, no amor, no jogo, na vida como um todo, é só uma questão de estratégia e tempo.

Eu pensei em escrever sobre bipolaridade, mas de uma forma ou de outra essa introdução coube bem no meu pensamento. Não sou uma bipolar no sentido ruim da palavra, não fui diagnosticada como tal, porém há dias em que todos os seres humanos têm momentos de loucura, uns mais e outros menos, mas temos esse momento “dia de fúria”, porque somos seres que sentimos, nos irritamos, enfim temos essa gama de sentimentos inerentes a nós, só a nós. Ultimamente tenho crido numa forma de fugir dessa coisa da bipolaridade e é uma forma maquiavélica, explicando melhor, é sendo o mais racional possível, porque é isso que Maquiavel pregava: “racionalidade”.

Há momentos na vida em que uma pessoa pensa que um abraço carinhoso a confortaria de todos os seus “ais”, pode ser verdade, é confortante estar nos braços de outra pessoa e haver essa troca de carinho, mas... Isso resolveria? Não! Somente nós mesmos podemos mudar o nosso destino, ninguém pode sofrer por você, passar por seus problemas por você, ninguém pode. A vida de cada um é pessoal e intransferível, (risos) e seus erros e acertos são individuais. Tenho percebido que até mesmo nas relações ditas afetivas, temos a péssima mania de empurrar para o outro os nossos deslizes, não é culpa de ninguém se o amor acabou. As coisas vão se desgastando e se reciclando, mas se daquela paixão arrebatadora não sobrou nem um carinho, é porque foi uma relação tão profunda quanto um pires. Pessoas humanas são controversas e bipolares, todos somos, e como esse termo está muito na moda, resolvi usá-lo.

A intensidade com que sofremos é muitas vezes inversamente proporcional ao que vivemos. Tive um dia ruim, mas e aí? Deu vontade de dar um escândalo e gritar que estou certa? Deu, porém racionalmente o melhor a se fazer é se calar, e pensar no porque de certas coisas... Refletindo sobre “N” coisas a vida vai ficando menos nebulosa.

Agora no aconchego do meu quarto, consigo perceber coisas que ficaram implícitas ao longo da minha vida, só sei que tenho hoje a mente mais aberta às percepções e as releituras que tenho feito ao longo desses cinco meses em que fui traída pelos meus sentimentos, efetivamente não tenho idéia de como acordarei amanhã, mas tenho consciência de que serei o mais maquiavélica possível, afinal se somos seres racionais... Que tal agirmos como tais? Talvez eu seja feliz, talvez não... vou tentar! Vou viver tentando.

“ Faz muito pouco tempo aprendi a aceitar que quem é dono da verdade não é dono de ninguém. Só não se esqueça que atrás do veneno das palavras sobra só o desespero de ver tudo mudar, talvez até porque ninguém mude por você” .(Capital inicial, Algum dia)


sábado, 4 de janeiro de 2014

Agora


Agora estou dentro de mim

Sinto-me enclausurada no meu corpo

Não consigo sair de mim

Tenho vontade de me rasgar, sair das minhas entranhas

Minha garganta seca, minha voz , que voz?

Quero ser eu e não estar em mim

Amor e ódio por estar presa

Desejo liberdade, a minha liberdade

Sinto-me escravizada dentro desse mundo artificial

Cansada de frases feitas, de sentimentos prontos

Agora eu quero o veneno, o bálsamo não me realiza

Quero viver o desconexo, o caos da inconstância

Agora somente Agora

Espera..


O que me resta senão esperar

Esperar o tempo que for preciso

A vida que corre em círculos

Os dias que se levantam e o por do sol


A noite escura e longa

E o novo o dia e mais um por do sol

E vou esperando

Até que chegue o dia ou a noite


Em que a espera torna-se  prazer

E os olhos antes atentos, agora se fecham

Para olharem por dentro da alma


Que satisfeita na espera sorri e transborda

E a espera valeu por toda solidão e tristeza

E todo sentimento que antes reinava no vazio


Agora encontra alento no peito que arfa no ritmo

E nas batidas do coração sofrido pela espera

De encontrá-lo mais uma vez





Paixões



Gosto das paixões essas que vem e arrasam tudo

Que nos viram a cabeça

Que nos perturbam o sono

Gosto das paixões que sacodem a mesmice

Que apontam para o oposto do norte

Que ferem e curam ao mesmo tempo

Gosto dessas paixões que queimam a alma

Que destroem sentimentozinhos pequenos

Que acendem a volúpia e a lascívia

Gosto dessas paixões intensas

Que aparecem com um olhar e

Que desaparecem com um talvez.

Voce ve? Eu sinto.


Estou solta..por um instante. Você ve? eu sinto.

Não vejo sentido em muitas coisas e a mesma falta de sentido me faz ser sozinha, eu e minha liberdade.

É tanta liberdade que escandaliza minha plenitude de fronteiras perceptíveis.

Esta minha capacidade de viver,sendo antes, sendo quase, sendo nunca.

Sinto-me como que não pertencendo ao gênero humano, enxergo essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela.

Fico assustada sem saber aonde me levará esta minha liberdade.

Sei que isso (essa liberdade) ganhei, deixando de te amar.

Estou solta..por um instante. Você ve? eu sinto.