Tento ser uma pessoa razoável dentro de uma dita normalidade, porém eu
não sei o que é normal. O mundo lá fora é tão complexo e temos que ser tantas
pessoas ao longo da vida, que eu já não sei bem o que é o certo e o quanto esse
certo pode ser errôneo. Seguimos diretrizes de ética e moral ensinadas pelos
nossos pais, entretanto, devemos ser flexíveis até dentro desses ensinamentos.
Muitas vezes aquela verdade absoluta que me foi dita aos cinco anos de idade,
hoje não é tão verdade assim. Não sou a dona da verdade e nem creio que alguém
seja. Sou uma Nietzscheniana de carteirinha.
Lembro-me que quando tinha uns doze anos, fiquei fascinada por um livro
que ouvi falar e não sosseguei enquanto não o li, na época eu não havia
entendido muito bem o que significava o pensamento do escritor, só fui começar
a entendê-lo anos mais tarde. O livro era O Príncipe, de Maquiavel e sua
temática a estratégia da conquista. Se colocarem em prática seus pensamentos em
qualquer área da vida, acredito que consigam muitas coisas em benefício
próprio, porém terão que dissimular muito. Num exemplo muito claro, Maquiavel
diz que para se dominar uma cidade, o caminho mais rápido é a destruição, nesse
caso a destruição material, mas o que ficou latente em mim após esse livro, é
que há diversos tipos de destruição, destruindo a confiança de alguém essa
pessoa passa a ser um alvo certo a ser conquistado, isso no trabalho, no amor,
no jogo, na vida como um todo, é só uma questão de estratégia e tempo.
Eu pensei em escrever sobre bipolaridade, mas de uma forma ou de outra
essa introdução coube bem no meu pensamento. Não sou uma bipolar no sentido
ruim da palavra, não fui diagnosticada como tal, porém há dias em que todos os
seres humanos têm momentos de loucura, uns mais e outros menos, mas temos esse
momento “dia de fúria”, porque somos seres que sentimos, nos irritamos, enfim
temos essa gama de sentimentos inerentes a nós, só a nós. Ultimamente tenho
crido numa forma de fugir dessa coisa da bipolaridade e é uma forma
maquiavélica, explicando melhor, é sendo o mais racional possível, porque é
isso que Maquiavel pregava: “racionalidade”.
Há momentos na vida em que uma pessoa pensa que um abraço carinhoso a
confortaria de todos os seus “ais”, pode ser verdade, é confortante estar nos
braços de outra pessoa e haver essa troca de carinho, mas... Isso resolveria?
Não! Somente nós mesmos podemos mudar o nosso destino, ninguém pode sofrer por
você, passar por seus problemas por você, ninguém pode. A vida de cada um é
pessoal e intransferível, (risos) e seus erros e acertos são individuais. Tenho
percebido que até mesmo nas relações ditas afetivas, temos a péssima mania de
empurrar para o outro os nossos deslizes, não é culpa de ninguém se o amor
acabou. As coisas vão se desgastando e se reciclando, mas se daquela paixão
arrebatadora não sobrou nem um carinho, é porque foi uma relação tão profunda
quanto um pires. Pessoas humanas são controversas e bipolares, todos somos, e
como esse termo está muito na moda, resolvi usá-lo.
A intensidade com que sofremos é muitas vezes inversamente proporcional
ao que vivemos. Tive um dia ruim, mas e aí? Deu vontade de dar um escândalo e
gritar que estou certa? Deu, porém racionalmente o melhor a se fazer é se
calar, e pensar no porque de certas coisas... Refletindo sobre “N” coisas a
vida vai ficando menos nebulosa.
Agora no aconchego do meu quarto, consigo perceber coisas que ficaram
implícitas ao longo da minha vida, só sei que tenho hoje a mente mais aberta às
percepções e as releituras que tenho feito ao longo desses cinco meses em que
fui traída pelos meus sentimentos, efetivamente não tenho idéia de como
acordarei amanhã, mas tenho consciência de que serei o mais maquiavélica
possível, afinal se somos seres racionais... Que tal agirmos como tais? Talvez
eu seja feliz, talvez não... vou tentar! Vou viver tentando.
“ Faz muito pouco tempo aprendi a
aceitar que quem é dono da verdade não é dono de ninguém. Só não se esqueça que
atrás do veneno das palavras sobra só o desespero de ver tudo mudar, talvez até
porque ninguém mude por você” .(Capital inicial, Algum dia)