Eu
queria costurar as pontas soltas e fazer uma colcha de retalhos dessas que são
tão bem feitas que não desmancham nunca, como as da “Tia Antonieta”, que duram
por gerações.
Unir
as pontas no meu caso, significa unir as pessoas para um objetivo comum, sem
críticas destrutivas, apenas ressalvas.
Somos
todos pó do mesmo barro, estamos aqui para somar e não dividir. Há muitos erros
a serem consertados, muitas lacunas a serem preenchidas. Uma reestruturação a ser
feita a partir do bom senso.
Sinto-me
incapaz, por não conseguir juntar as pontas, redesenhar os retalhos. Somos
falhos e vivemos nos lamentando sobre tudo, nunca estamos satisfeitos, aliás um
sentimento que é abundante no ser humano é a insatisfação, parece que sempre temos
algo a nos queixar, e a colcha vai ficando de lado.
Muitas
vezes precisamos de certa solidão para nos sentir incluídos. Não digo essa
solidão que é a antítese do aconchego, mas uma solidão escolhida, pensada.
Solidão para coser as idéias.
Nesta solidão paro e repenso o ser humano, não
importa em qual parte do mundo estejamos o ser humano é essencialmente igual. A
nossa essência é a partilha, compartilharmos coisas boas ou ruins, somos seres
sociais mesmo que estejamos sós. Somos uma colcha de retalhos.
Quisera
eu ter o dom de saber unir esses pontos há muito separados. Eu coseria a colcha
e a usaria no próximo inverno, aquecer-me-ia dela, seria parte dela..

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