domingo, 27 de julho de 2014

Soneto do tempo que não se divide


Eu queria descrever  voce, mas onde estão as palavras?

As palavras já esgotaram os significados,  os significados ressignificam.

Vou do zero ao infinito, vou andando sem parar.

Mas ao mesmo tempo tudo é tão fugaz.

 

 Eu sempre fui e imediatamente não sou mais.

 O tempo corre lá fora à toa e existem abismos de silêncio em mim.

 Sou feliz na hora errada e infeliz quando todos dançam.

Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro.

 

Tempo para mim não significa, o tempo não existe, é somente a evolução das coisas, mas o tem­po em si não existe.

Ou existe imutável.

O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta, quando o tempo não se divide.

 

Degusto assim cada detestável minuto.

Quero viver muitos minutos num só minuto.

Enquanto voce como uma águia, plana num vazio de tempo em que voce é soberano, a voce o tempo é infinito, sua essencia faz com que voce seja, exista e permaneça.

 

 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pedindo algumas palavras e sentidos emprestados ao Zeca Baleiro... Lenha


Eu não sei dizer

O que quer dizer

O que vou dizer

Eu amo você

Mas não sei o que

Isso quer dizer


Eu não sei por que

Eu teimo em dizer

Que amo você

Se eu não sei dizer

O que quer dizer

O que vou dizer


Se eu digo "Pare"

Você não repare

No que possa parecer

Se eu digo: "Siga"

O que quer que eu diga

Você não vai entender


Mas se eu digo: "Venha"

Você traz a lenha

Pro meu fogo acender

Mas se eu digo: "Venha"

Você traz a lenha

Pro meu fogo acender



domingo, 6 de julho de 2014

Acaso? Destino? Loucura? Coincidencia?


De repente um encontro e é pura magia

Acaso?

 Anos de olhares tornam-se em um  tocar, beijar

Um encontro de corpos frenético e incessante em busca do tempo

 

Das horas perdidas, dos sonhos não sonhados, desejos não realizados

Destino?

Mágica, segredos, sussurros

Paixão e loucura

 

Loucura?

E eu sou plena em sensualidade e volúpia

Como se o tempo retrocedesse e a vida seguisse irresponsável

 

Coincidencia?

Somos dois, somos um, somos só nós

Acaso? Destino? Loucura? Coincidencia?

 

Só sinto a música  

Fecho os olhos e vejo a dança

Somos dois, somos nós.

 

Ora perdido, ora descoberto


Eis o rosto maduro, sensível, nu

Dolorido das dores da escolha

Chora silenciosamente, sem os ideais do amor

Aprendeu a pensar sozinho para nunca mais acreditar no sentimento alheio

 

Sem valia, com agonia,

Como um livro que espera ser desvendado

Lido avidamente, com desejo

Emancipando quem do saber  alimenta-se, és assim

 

Puro e simplesmente um livro que ainda procura o autor

Livro desconhecido e profundamente amado, ainda que não escrito

Ouso dizer que é ainda como um primeiro beijo

 

Desconhecido e desejado, traz prazer e medo

Idealizando o que um dia foi, e que não mais será

Trazendo a dualidade no rosto nu

 

Renunciando a morte e de certa forma a vida também

Desvendando das profundezas da alma o transcender cotidiano

Sendo só um homem, ora perdido, ora descoberto
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Instante




 

Sou um ser concomitante: reúno em mim o passado, o presente e o futuro

O tempo que lateja

O tempo é quanto dura um pensamento

O instante é semente viva

Prendi para mim o instante antes que ele morresse

Ele que perpetuamente morre

Quero, dentro desta noite, vida crua e sangrenta

Cheia de saliva

Uma instintiva volúpia daquilo que está escondido

Substrato imprevisível do mal que está dentro de mim

Os passos que ouço são os meus.

Vem do sofrido longe, vem do inferno de amar

Estou sozinha, eu e minha liberdade

Venho do sofrido longe,

Venho do inferno de amar

E agora libertei-me de ti