domingo, 27 de julho de 2014

Soneto do tempo que não se divide


Eu queria descrever  voce, mas onde estão as palavras?

As palavras já esgotaram os significados,  os significados ressignificam.

Vou do zero ao infinito, vou andando sem parar.

Mas ao mesmo tempo tudo é tão fugaz.

 

 Eu sempre fui e imediatamente não sou mais.

 O tempo corre lá fora à toa e existem abismos de silêncio em mim.

 Sou feliz na hora errada e infeliz quando todos dançam.

Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro.

 

Tempo para mim não significa, o tempo não existe, é somente a evolução das coisas, mas o tem­po em si não existe.

Ou existe imutável.

O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta, quando o tempo não se divide.

 

Degusto assim cada detestável minuto.

Quero viver muitos minutos num só minuto.

Enquanto voce como uma águia, plana num vazio de tempo em que voce é soberano, a voce o tempo é infinito, sua essencia faz com que voce seja, exista e permaneça.

 

 

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